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Pensando a Transformação Digital





A transformação digital é um tema incandescente em qualquer canto do mundo hoje em dia. Apesar de muitos usarem esta expressão, uma pesquisa detalhada revelará que ainda existem dúvidas em relação ao significado real da expressão transformação digital.


A transformação digital ocorre quando existe uma mudança de paradigma na forma de resolver os problemas ou na maneira de realizar uma tarefa. Existe uma grande diferença entre experimentar uma transformação digital real e usar a tecnologia ou a internet como suporte para continuar realizando tarefas da mesma forma como era feito anteriormente ou resolvendo os problemas sem nenhuma alteração substancial.


Um exemplo interessante de transformação digital vem da SABESP – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Esta companhia identificou uma série de problemas que afligem a sua operação, tais como: gestão de mananciais, gestão do tratamento de água, combate a ligações clandestinas, necessidade de redução de perdas e aumento de integração com os clientes.


A partir do diagnostico realizado dos problemas enfrentados e que a companhia deseja transformar, passou a desenvolver um programa chamado de Pitch Sabesp cujo objetivo é identificar projetos e soluções digitais que transforme a maneira como aqueles problemas são abordados atualmente. A tecnologia, neste caso, não surge como um apoio a solução dos problemas, mas como um veículo para haja uma transformação verdadeira na forma como a SABESP encaminha as suas ações e tarefas.


Um outro exemplo muito utilizado quando o assunto é transformação digital vem da Estônia. Este pequeno país do leste Europeu conquistou a sua independência integral em 1990, quando deixou de ser dominado pela então União Soviética. Aproveitando-se das tecnologias emergentes, a Estônia estabeleceu um objetivo audacioso de implementar um governo mais colaborativo, transparente, menos burocratizado e pautado pela digitalização.


Naquele país, os cidadãos adquiriram um RG digital e com este documento acessam a mais de 500 serviços governamentais. Lá, um cidadão pode abrir uma empresa em menos de 20 (vinte) minutos e abrir uma conta em banco em menos de 24 (vinte e quatro) horas.

Para alcançar este estágio de transformação digital, foi necessário um imenso esforço de alinhamento entre o Governo, a Sociedade, os ecossistemas político e empresarial.


Diversas leis tiveram que ser extintas e novas tiveram que ser discutidas e aprovadas a fim de que houvesse suporte legal para este projeto. Da mesma forma, muitos serviços se transformaram completamente, tendo sido necessário uma grande flexibilização dos cidadãos para incorporarem novas competências e habilidades, além de uma cultura completamente nova.


A Estônia mostrou para o mundo que a internet e as tecnologias podem ser grades ferramentas que proporcionam ganho de produtividade e competitividade, mas que não garante, por si, a transformação digital almejada por tantos países, empresas e instituições.


Tendo a Estônia como inspiração, a Europa concebeu o Mercado Único Digital. Esta iniciativa pretende eliminar aos bloqueios geográficos que são impostas para a circulação de mercadorias por via de importação e exportação.


Estima-se que esta iniciativa, se levada a cabo com sucesso, permitirá a criação de um mercado digital imenso. Apenas para dar uma dimensão desta transformação, atualmente, apenas 7% das pequenas e médias empresas conseguem vender os seus produtos digitalmente em outro país da própria Europa.


A visão deste Mercado Único é promover uma verdadeira revolução nas normas dos países europeus, além de uma grande transformação nas empresas que precisarão de novas competências, habilidades e repertório para atender as demandas que virão. Os cidadãos também terão que mudar os seus paradigmas, pois não se imagina que as transações, relações e conexões continuem a existir da mesma forma como existiam na medida em que este projeto vá se desenvolvendo.


O Direito não foge desta realidade. Para além da digitalização de processos (que não pode ser encarado como uma transformação digital efetiva, considerando que muitas ineficiências não foram corrigidas ainda) e da utilização de ferramentas tecnológicos, o que se espera do universo jurídico é o desenvolvimento de novos arcabouços regulatórios que sustentem a transformação digital real; a colaboração na formação de novos modelos de negócios e instituições; e, mais importante, que seja capaz de encontrar respostas eficientes e eficazes para os novos conflitos e controvérsias que surgirão no esteio desta grande revolução.


Autor: Agnaldo Bahia

agnaldo@santanaadv.com.br

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