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Atualizado: 13 de Out de 2020









Há pouco mais de uma semana, o Instituto Mundial de Investigações para o Desenvolvimento de Pesquisas Econômicas, da Universidade das Nações Unidas (UNU-WIDER), publicou um estudo conduzido em conjunto por pesquisadores da King's College de Londres e da Universidade Nacional da Austrália, com uma conclusão estarrecedora: como consequência da pandemia do Covid-19, entre 400 e 600 milhões de pessoas em todo o mundo serão tragadas para baixo da linha da pobreza, num cenário em que o consumo per capita mundial reduzirá cerca de 20%.


Apesar desse prognóstico assustador, nunca se ouviu falar tanto em inovação, disrupção e outros termos da denominada Economia Digital, que vai muito além do que o incremento do e-commerce ou de tornar o home office e as reuniões por videoconferência algo mais presente na vida das pessoas e das empresas.


Não se pode negar a relevância da tecnologia de uma maneira geral – e, em especial, da internet, a partir da década de 90 – para que houvesse incrementos econômicos significativos em escala mundial. Mas a disseminação maciça do discurso da tecnologia e da inovação, aliada à pouca difusão dos números da economia e da educação no Brasil, nesse cenário de caos, impõe alguma reflexão.


Em um cenário de retração econômica global, onde a tecnologia apresenta-se como instrumento necessário para reduzir custos, aumentar produtividade e substituir mão-de-obra ordinária por máquinas e algoritmos inteligentes, com a pretensão de, assim, salvar economias e empresas, não se pode pensar em inovação, no Brasil, sem um viés incisivo de inclusão social e com um olhar muito atento à educação.


Não funcionará, aqui, porém, tentar capacitar o grande contingente de pessoas que estão na iminência de serem descartadas pelo novo. Afinal, considerando a nossa realidade educacional atual, é quase impossível fazermos movimentos verdadeiramente capazes de, no curto ou médio prazo, transformar vendedores de lojas em programadores computacionais com chances reais de empregabilidade.


É preciso sobreviver mas é certo que nenhuma economia se sustenta apenas com entregadores de comida e motoristas de aplicativo. Por outro lado, não há como frear a tecnologia e a inovação, imaginando que elas aguardarão retardatários, como o Brasil. Seguramente, nesse cenário, a inovação que mais interessa ao Brasil está na área educacional. Somente através da educação será possível criar um caminho tangível para que as gerações futuras de brasileiros tenham alguma chance real nesse "Admirável Mundo Novo", que, embora seja menos sombrio do que previu Aldous Huxley, é igualmente preocupante.


E o que se espera é que a inovação educacional seja disruptiva ao ponto de propiciar, com bases tecnológicas, que o seu destinatário tenha o que comer antes de, através dela, aprender a surfar na Economia Digital. Se assim não for, ou se morrerá afogado, ou de fome.


Autor : Marcus Caminha

marcus@santanaadv.com.br

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